O que resta de 2017

Há apenas uns dias, dissemos adeus a um ano que não teve grandes destaques no cinema de género de terror, thriller ou derivados. Contudo, é possível ofertar uma lista de dez recomendações que reúnem, sob o meu critério, alguns valores essenciais especialmente queridos neste tipo de filmes. Faltam-me algumas fitas que certamente poderiam alterar a composição deste breve relatório. Mas a intenção é simplesmente assinalar algumas produções interesse que aqui se apresentam de modo crescente a respeito da minha valorização particular.

The Endless
Interessante concepção deste filme de ficção científica que, não obstante, fica meio estragada no final; o que não lhe impede ser uma das propostas interessantes do presente ano. Em The Endless, temos dois irmãos que anos atrás fugiram duma seita a iniciativa de Justin, o mais velho; quem achava que o culto caminhava cara um suicídio colectivo do tipo Jonestown. No presente narrativo, ambos recebem uma fita da comuna religiosa e Aaron, o mais novo, sente saudades. Por isso convence Justin para empreender uma viagem de volta.

A Cure for Wellness
Subvalorizado filme do que já falamos aqui. Prescindam de exigir coerência argumental e desfrutarão duma história gótica visualmente impecável, que entretém apesar da sua longa duração. Lockhart, recentemente ascendido na sua empresa, tem a missão de ir para um sanatório na Suíça na procura dum CEO retirado ali; a quem deve trazer de volta. Mas o centro oculta um lado sinistro que dificultará o encargo encomendado.

Double Date
Divertida comédia de terror britânica onde um desventurado Jim leva arrastando 30 anos a sua virgindade. Assessorado pelo seu amigo misógino Alex, consegue engatar com Kitty e Lulu; duas belas e misteriosas moças que acedem incompreensivelmente às insinuações dos amigos. Naturalmente, as moças têm o costume de assassinar potenciais amantes.

Mother!
É uma autêntica chatice que em pleno século XXI, ainda tenhamos de lidar com desvarios religiosos. Ora bem, se sobrevoamos o sub-texto místico, o filme de Aronofsky é uma angustiante história que consegue fazer-nos empatizar com a protagonista: uma mulher presa no quotidiano do lar, submetida a um marido narcisista e que comprova como o seu mundo é progressivamente destruído por uns hóspedes inesperados. Transição da tranquilidade doméstica ao mais absoluto delírio. Não está nada mal.

Laissez Bronzer les Cadavres!
Aqui já foi elogiado o estilo flamboyant do casal belga Cottet-Forzani. O principal mérito deste cruze de thriller, western e cinema experimental é esse; um espectáculo visual, de erotismo desmedido, que envolve um enredo por vezes confuso. É a história duma cruel batalha entre vários personagens que confluem numas ruínas mediterrâneas. Espectacular.

Life
Interessante história de terror no espaço que passou sem infâmia e sem louvores pelas salas de cinema no ano passado. A tripulação duma nave espacial consegue encontrar uma estranha forma de vida alienígena. No processo do estudo do espécime, este foge e oculta-se nas instalações. O alienígena evolui, cresce e começa a hostilizar o plantel, quem empreendem uma luta pela supervivência da própria espécie humana.

Good Time
Grande thriller independente norte-americano, executado de modo correcto pelos realizadores Ben e Joshua Safdie. No enredo, encontramos um desastroso atraco levado a termo pelos irmãos Nikas. Nick, o irmão mais novo e deficiente, acaba preso. Constantine, o mais velho e dominante, atormentado pela culpa; inicia uma carreira desesperada para reunir o dinheiro da fiança.

The Killing of a Sacred Deer
O grego Yorgos Lanthimos continua a postular-se como um dos realizadores contemporâneos mais polémicos. Nesta ocasião, consegue gerar uma atmosfera fria e cruel que pesa sobre a família do protagonista; o doutor Steven Murphy, um importante cirurgião. Steven inicia uma estranha relação de amizade com Martin, um esquisito rapaz órfão, quem se introduz pouco a pouco no seu lar. A presença do jovem entre a família Murphy fará com que esta deva encarar um destino sinistro e trágico.

Brawl in Cell Block 99
Deliciosa loucura que aplaudimos de maneira entusiasta em Mal de Olho. Um drama neo-noir que se transforma devagar numa trepidante fita de acção carcerária, exagerada e extravagante. O ex-pugilista Bradley começa a trabalhar para um mafioso local com a intenção de melhorar a sua situação financeira e salvar o seu matrimónio. Infelizmente, num assalto é preso. Na choça, é extorquido por um sócio do seu chefe: para salvar a vida da sua mulher e da sua filha nonata, deverá repartir chapadas a torto e a direito, na pior prisão possível.

Wind River
Desde o meu o humilde critério, o melhor filme do ano acabado. Wind River é um filme sóbrio e visualmente atractivo, que começa com o misterioso assassinato duma moça numa reserva indígena dos Estados Unidos. O trabalhador do serviço de controlo das espécies Cory Lambert, deverá fazer equipa com a agente do FBI Jane Banner e o chefe da polícia nativa Ben. Os três pesquisam na reserva os acontecimentos que desembocaram na morte da jovem. Principal recomendação de 2017 que há que ver obrigatoriamente.

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