As 12 badaladas

Estamos no equador do último mês de 2018 e parece um bom momento para repassar as principais recomendações deste site durante um ano que não foi especialmente prolífico em terror de qualidade.
De facto, entre as doze badaladas, poucos títulos do género figuram; tendo escolhido thrillers, acção e até alguma comédia. Não constam alguns que talvez mereceriam uma menção especial, como por exemplo Apostle, o assustador filme argentino Aterrorizados ou o obscuro drama Nancy. Tampouco optamos por incluir séries, entre as que mereceriam destacar Sharp Objects ou Homecoming. Por último, estão estritamente excluídos os hypes que traíram a sua promoção promissória. Estamos a pensar em Halloween, Suspiria, Overlord, Summer of 84, Blackwood, The Meg, Ghostland, Mandy, The Cloverfield Paradox e alguma outra da que se falou nos últimos meses

12: In Fabric (Dirigida e escrita por Peter Strickland)
Com a intenção de resultar atractiva para as suas citas, Sheila (Marianne Jean-Baptiste) acode ao saldo duns grandes armazéns; onde uma sinistra vendedora induz-a a comprar um vestido vermelho que resulta maldito. Com esta premissa de série B, Strickland desenha um enredo que se mexe entre o terror e a comédia, a empreender uma crítica velada à sociedade de consumo. No aspecto do estilo, In Fabric aproxima-se do trabalho do Argento mais barroco.

11: BuyBust (Dirigida e escrita por Erik Matti)
Protagonismo feminino (Anne Curtis) para esta loucura filipina de acção frenética, onde um grupo policial de elite fica emboscado num bairro da lata de Manila controlado por uma máfia local. Em clara inferioridade numérica, a esquadra deverá empregar as suas habilidades marciais para conseguir fugir. Este festival de pancadas, dirigido com notável gosto, contém ademais uma leitura sobre a situação política do arquipélago do Sul-Leste Asiático.

10: Lords of Chaos (Dirigida por Jonas Åkerlund, e coescrita com Dennis Magnusson)
Em Oslo, na década dos 80, o jovem guitarrista Euronymous forma uma banda de black metal e adopta uma pose transgressora contra os valores dominantes na arte e na vida. Pouco a pouco, o guitarrista vê como é verdadeiramente influente para a gente que o envolve, o que tem umas consequências catastróficas. Este filme de humor negro britânico está baseado na história real da banda norueguesa Mayhem, que esteve implicada ideologicamente numa onda de crimes no país, desde a queima de igrejas até o assassínio.

9: Quién te cantará (Escrita e dirigida por Carlos Vermut)
Quando a cantante de êxito Lila Cassen (Najwa Nimri) prepara a sua volta aos cenários depois duma década retirada, sofre um acidente que lhe produz amnésia. Apressada pela sua amiga Blanca (Carme Elias) para continuar com o projecto; reclama os serviços de Violeta (Eva Llorach), trabalhadora dum karaoke que canta as canções de Lila como meio de evasão duma vida precária dominada por uma filha tirânica. Intriga elegante, drama psicológico profundo e final macabro. Para que mais?

8: La nuit a dévoré le monde (Dirigida por Dominique Rocher e escrita por este, Jérémie Guez e Guillaume Lemans)
Sam (Anders Danielsen Lie) acode a uma festa duma habitação céntrica de Paris, para discutir com a sua ex-namorada. Numa determinada altura, entra num quarto onde fica adormecido. Durante o sono, Sam perde o Apocalipse zumbi; assim que quando acorda deve lutar pela sua sobrevivência e por manter a sua sanidade mental. Interessante adaptação da novela de Pit Agarmen com um argumento similar a I Am Legend, The Omega Man ou The Last Man on Earth.

7: Calibre (Escrita e dirigida por Matt Palmer)
Próximo da paternidade, Vaughn (Jack Lowden) aceita passar uma jornada de caça com o seu velho amigo Marcus (Martin McCann) numa freguesia das Highlands de Escócia. Mas logo dum desafortunado incidente na floresta, ficam presos na localidade; ameaçados pela desconfiança crescente dos nativos. Interessante thriller que foi louvado aqui há uns meses.

6: What Keeps You Alive (Escrita e dirigida por Colin Minihan)
Jules e Jackie (Brittany Allen e Hannah Emily Anderson) são um casal lésbico que vai comemorar o seu aniversário na cabana da floresta onde se criou a segunda. Uma inesperada visita revela detalhes da vida de Jackie que Jules ignorava. Face a crescente suspeita de que a sua mulher é uma absoluta desconhecida, o enredo bate com várias viragens que resultam verdadeiramente surpreendentes nesta tenso jogo do gato e o rato.

5: American Animals (Escrita e dirigida por Bart Layton)
Não há muito que falávamos positivamente deste filme que mistura o documentário com uma ficção que amalgama thriller e comédia. Baseado em factos reais, narra a história dum grupo de adolescentes que, com a intenção de ultrapassar um quotidiano incerto e grisalho, planificam o assalto à biblioteca universitária para roubar um valioso livro de ilustrações. A total falta de perícia criminosa do grupo assegura umas poucas gargalhadas.

4: Eizabeth Harvest (Escrita e dirigida por Sebastian Gutierrez)
Reinterpretação do conto de Barba Azul onde Elizabeth (Abbey Lee) é uma jovem bonita recém-casada com o eminente doutor Henry (Ciarán Hinds). Este proíbe expressamente a Elizabeth entrar num quarto da mansão onde mora. A jovem não demorará em violar a norma para descobrir o misterioso passado do seu esposo. Elegante e bem interpretada.

3: Upgrade (Escrita e dirigida por Leigh Whannell)
Vencendo os seus preconceitos tecnófobos, Grey Trace (Logan Marshall-Green) aceita a implantação dum chip que lhe permite volver a caminhar depois dum assalto que acabou com a vida da sua mulher e que o deixou paraplégico. Rápido descobre aliás que a inteligência artificial do chip resulta uma excelente ajuda para a vingança. Mas também uma ameaça à sua autonomia. Excelente entretenimento e decente thriller de acção.

2: Possum (Escrita e dirigida por Matthew Holness)
Criticada pelo seu ritmo excessivamente pausado, este filme é porém a história mais terrífica do presente ano; e mesmo merece uma entrada própria. Philip (Sean Harris) é um bonecreiro fracassado que volve à casa ruinosa onde se criou, numa paragem desassossegante. Ali é confrontado pelo seu desagradável tio e por um aberrante boneco do que é incapaz de desfazer-se e que acaba por ser uma reificação dos seus traumas infantis. Inquietante classicismo para uma fita que leva a assinatura de Matthew Holness, um dos responsáveis da fantástica série Garth Marenghi’s Darkplace, paródia de Stephen King e com a que apenas tem a ver o gosto pelo género.

 

1: Climax (Escrita e dirigida por Gaspar Noé)
Retorno com toda a pompa de Gaspar Noé, merecidamente galardoado em diversos certames com este festival para os sentidos que foi louvado de maneira entusiasta aqui. Um grupo de dançarinos dispõe-se a celebrar uma próxima estreia logo duns ensaios. A festa, alegoria da França contemporânea, desce rapidamente cara o caos e a paranóia quando começam a ser conscientes de que a sangria foi adulterada com ácido lisérgico. Pouco a pouco caem vítimas do seus preconceitos e medos.

 

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