Hannah Grace

Terror sobrenatural na morgue: não há nem dois anos que viste algo como isto.

Aqui defendeu-se, em mais duma ocasião, que o terror sobrenatural tem um crescente obstáculo: a laicização da sociedade.
Cada vez é mais difícil acreditar nas ameaças que transcendem a matéria e, portanto, inspirar terror com elas é cada vez mais complexo. Isto inclui o subgénero da possessões demoníacas. A própria igreja católica questiona já a existência do diabo e do inferno, mesmo acreditando em muitos outros absurdos. A suspensão da incredibilidade que deve fazer a plateia é maior.
No subgénero das possessões e exorcismos tampouco ajuda a pouca propensão a inovar desde o clássico de William Friedkin (1973). Isto vê-se de modo claro em The Possession of Hannah Grace. No primeiro minuto já assistimos a uma Hannah Grace (Kirby Johnson) com os mesmos sintomas de Regan (Linda Blair) há 46 anos.

Iiiiiiiiii…

O realizador Diederik Van Rooijen e o guionista Brian Sieve não levam o enredo fora do território do convencional e do previsível. Em todo caso, este The Possession of Hannah Grace aproxima-se de The Autopsy of Jane Doe (2016), com quem tem em comum situar a acção no tétrico cenário duma morgue que mereceria um maior investimento na instalação eléctrica. Ali é onde Megan (Shay Mitchell) vai trabalhar no turno de noite, logo de ter perdido o seu emprego como agente da polícia depois dum lutuoso incidente que a deixa sem colega. Ademais, Megan está a lutar contra uma problemática adição ao álcool pelo que, quando aconteçam coisas estranhas, a sua credibilidade está seriamente comprometida.

A actriz principal é um dos elementos a destacar.

E não demoram em acontecer: a tal Hannah Grace, a quem vemos morrer cedo, entra na morgue. As suas feridas sanam, voa por aí, mata gente com telequinesia e, o que é pior, faz umas ruidosas e arrepiantes contorções. Megan terá aqui a oportunidade de redimir-se enquanto combate ao Maligno. A realidade é que todo aqui é tão rotineiro que tampouco é que nos interesse demasiado o backstory de ninguém.
Entretido filme que não está destinado a perdurar na lembrança.

  • A favor: A possessa e as suas contorções impossíveis.
  • Em contra: Rotineira, previsível e destinada ao esquecimento

 

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