Us (2019)

Minuto 5: já sei como acaba.

Finalmente, esta semana chegou às salas de cinema a segunda longa-metragem do realizador Jordan Peele, escoltada por um sugestivo trailer e a aprovação quase unânime da crítica.
De facto, a dia de hoje, o site especializado Rotten Tomatoes concede-lhe uma taxa de aprovação por volta do 94%, o que situa Us por cima de jóias como Nosferatu, A Nightmare on Elm Street, Halloween ou Freaks. E claro, devemos protestar furiosamente.

Que demónios é isto.

Aqui eu já confessei não ser um grande fã de Get Out, que não deixa de ser um remake mediano de The Stepford Wives situando o foco de atenção no tema racial desde a problemática de género. Na altura criticava o pouco elaborado da sua mitologia e a sua incapacidade para gerar impacto. Pois isso exactamente é o que se pode dizer de Us: o universo da história está construído de forma fraca e inconsistente. Há quem comparou este filme com Night of the Living Dead, num intento ardiloso de ligar o filme de Peele com o clássico incontestado de Romero. O próprio realizador deixou pequenas homenagens a produções como CHUD ou The Goonies. A realidade é que Us tem mais a ver com Invasion of the Bodysnatchers, o antigo e o remake de 1978. Mas, a diferença de aqueles, onde os extraterrestres careciam de alma mas eram inteligentes; aqui, os dopplegängers são simplesmente estúpidos, e é por isso que a família Wilson consegue sobreviver. O que confere o status do herói num enredo qualquer é um antagonista de alto nível, algo totalmente ausente aqui. Us é um idiot plot que se sustenta em piadas sem graça e sustos que não arrepiam.

Nesta altura, podiam ter assassinado à família Wilson. Mas são estúpidos.

A história é conhecida por qualquer um que visse o trailer: Adelaide Wilson (Lupita Nyong’o) regressa à lar familiar com o seu marido e filhos. Lá, décadas antes, teve um incidente traumático quando encontrou a sua dupla. Quando retornam para casa depois dum dia na praia, uma família idêntica a eles assalta-os. De fundo, temos um mundo subterrâneo onde moram réplicas em negativo dos seres humanos que habitamos a superfície. O desencadeante do enredo é a vontade das réplicas de ocupar o nosso mundo.

Não enganas ninguém, Lupita Nyong’o.

Com certeza, o pior deste primeiro hype do ano é um plot twist final que se pode prever desde o minuto 5, sem qualquer exageração. Então a pergunta é: a que obedece predispor positivamente a plateia a respeito deste tipo de produções? É que a crítica nunca assistiu filmes de terror? Preferimos ficar com a suspeita duma preocupante ausência de ética profissional.

  • A favor: a interpretação de Lupita Nyong’o como protagonista (e não como antagonista).
  • Em contra: um pouco tudo. Mas, de maneira destacada, um final muito previsível.
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