Elizabeth Harvest

Lindo.

Elizabeth Harvest, filme escrito e dirigido por Sebastián Gutiérrez, será muito provavelmente um desses casos com os que a crítica e o público cometerão uma injustiça atroz; se dermos crédito às resenhas colectadas e às pontuações registadas em sites de cinema até o momento.
As reticências parecem referir-se ao ritmo pausado da narração como principal ponto fraco. Porém, as pessoas que ignorem este tipo de revisões, descobrirão um filme elegante, sexy, estilísticamente envolvente e com uma fotografia cuidada que remete a nomes como Argento ou Winding Refn. O conjunto, consegue gerar uma atmosfera de lenda para uma história que traz reminiscências do conto de Barbe bleue e da que convém não desvelar demasiado.

A câmara adora-a.

Nela, Elizabeth (Abbey Lee), jovem simples e bonita, acaba de casar com o eminente doutor Henry (Ciarán Hinds), homem culto, inteligente e visivelmente mais velho. Henry leva a esposa para a sua mansão, onde estão empregados uma enigmática Claire (Carla Gugino) e Oliver (Matthew Beard), um jovem assistente cego. Elizabeth tem licença para percorrer toda a casa, com a excepção dum quarto, onde Henry oculta um obscuro segredo. Nem faz falta dizer que esta circunstância apenas provoca o desejo na jovem de quebrar a proibição. Rapidamente, o público é sacudido com várias viragens no enredo que são verdadeiramente surpreendentes; onde se nos revela como o desejo de Henry por reviver à sua lua-de-mel com a primeira esposa defunta, têm convertido o doutor num monstro. Também esclarecem a incógnita da esquisita relação de Claire e Oliver com o seu patrão.

Carla Gugino leva também boa parte do peso dramático.

Para além do suspense do enredo, Elizabeth Harvest tem um sub-texto que assinala criticamente as relações de género, com o homem a punir a curiosidade feminina como mecanismo de controlo sobre a mulher. Nesse sentido, tanto Abbey Lee como Gugino estão à altura da obra, destacando por cima do resto do reduzido elenco.

Foge já.

Aproximando-nos já a Dezembro, dá para prever que Elizabeth Harvest entrará por direito próprio na lista das dez recomendações neste site do ano 2018. Assistam, que paga a pena.

  • A favor: elegância formal e giros de guião.
  • Em contra: sobra-lhe um pouco de metragem.
This entry was posted in Crítica and tagged , , . Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*